segunda-feira, 15 de maio de 2017
Primeiro palhaço negro do Brasil
BENJAMIN DE OLIVEIRA
Benjamim Chaves nasceu em Minas Gerais, no dia 11 de junho de 1870. Foi criança no tempo em que a Lei Áurea ainda vigorava em território nacional, sendo o quarto filho de Malaquias e da escrava Leandra. Conta-se que a sua mãe tinha sido uma escrava de “estimação”, por isso teve todos os filhos alforriados ao nascer, já seu pai era um capataz e era considerado um homem terrível, que batia nele diariamente.
Benjamin fugiu de casa aos 12 anos, segundo o próprio: “meu destino era fugir. Destino de negro…” e juntou-se à troupe do Circo Sotero, atuando em números de trapézio e de acrobacia, fazendo nascer o primeiro palhaço negro do Brasil e, de acordo com o pesquisador Brício de Abreu, o primeiro palhaço negro do mundo.
Do artista Severino de Oliveira, seu orientador no Circo Sotero, tirou seu novo sobrenome. Após quase três anos trabalhando no Circo Sotero, fugiu pela segunda vez, provavelmente porque era espancado. Foi parar num grupo de ciganos onde supôe-se que trabalhou como escravo, já que através de uma moça do grupo descobriu que os ciganos estavam pensando em trocá-lo por um cavalo.
Após andar por várias vilas como mendigo, Benjamim chega à cidade de Mococa, onde finalmente encontra trabalho num circo de um norte-americano chamado Jayme Pedro Adayme. É lá que pela primeira vez seu trabalho no circo é remunerado.
A estreia de Benjamim como palhaço se deu quando foi obrigado a substituir o palhaço da companhia que estava doente.
Segundo o próprio Benjamim, “E eu tive que fazer o palhaço. E foi ali, na Várzea do Carmo, naquele barracão de zinco e tábua que eu pela primeira vez apareci vestido de palhaço...”. O resultado das suas primeiras apresentações não foi bom, recebendo, o palhaço, vaias e desaprovações.
Após se estabelecer como artista de circo, Benjamim chegou ao Rio de Janeiro, tendo o seu trabalho reconhecido não apenas pelo público, mas também pelos críticos. Foi no Rio que o palhaço vivenciou um dos momentos mais importantes de sua carreira: o seu desempenho chamou a atenção do presidente da República, o Marechal Floriano Peixoto. Por volta de 1896, conheceu Affonso Spinelli, tendo atuado no Circo Spinelli até os anos de 1930, período que correspondeu aos seus anos de maiores glórias.
Além de seus números de clown e acrobacia, Benjamim cantava, atuava e até escreveu peças de teatro. Suas múltiplas habilidades o transformaram, também, no primeiro artista negro do cinema brasileiro. Foi aclamado como o Rei dos Palhaços no Brasil e respeitado por importantes homens do teatro.
O circo-teatro, introduzido no Rio de Janeiro por Benjamim de Oliveira, teve o seu apogeu entre os anos de 1918 e 1938, ele começou com paródias de operetas e contos de fadas, chegando à apresentação de peças de Shakespeare entre outros. Essa versatilidade fez com que a obra de Benjamim de Oliveira marcasse uma revolução no circo brasileiro.
O reconhecimento da atuação de Benjamim foi aumentando ao longo do tempo e no início do século XX ele já era um artista renomado, mas apesar do seu sucesso, a vida de Benjamim terminou praticamente na miséria. Após intensa campanha movida por jornalistas para que Benjamim de Oliveira recebesse um auxílio financeiro do governo federal, ele finalmente consegue, mas pouco usufrui da pensão, falecendo, em 03 de maio de 1954, aos oitenta e quatro anos.
Fontes: http://www.geledes.org.br/benjamim-de-oliveira-o-primeiro-palhaco-negro-do-brasil/#gs.ljdgfF0
SILVA, Erminia. Circo-teatro : Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil.
. São Paulo : Editora Altana, 2007
Primeira palhaça negra do Brasil
Maria Eliza Alves dos Reis (Palhaço Xamego)
“Negra, pequenina, um metro e meio de muita força e coragem. Coragem essa que foi testada para enfrentar o racismo e o machismo de sua época. Nasceu na primeira década do século 20. Força tamanha que a fez enfrentar a perda de sete filhos ainda pequenos e ainda assim ter toda alegria para criar um casal de rebentos muito amados: um músico, guitarrista do cantor Roberto Carlos por 40 anos, meu tio, Aristeu Alves dos Reis, e uma jornalista, Daise Alves dos Reis Gabriel, minha mãe.
“Na vida, niña, o que vale é saúde. O resto é bolacha!”
Esse foi um dos ensinamentos de Maria-Xamego, tanto para minha mãe, quanto para mim, misturando na frase o espanhol de sua mãe, a bisavó Brígida, que nasceu no Uruguai.Em 1942, elas voltaram para São Paulo e minha avó se casou com o Avô Eurico. Um homem apaixonado, que fugiu com o circo. Nesse período meu tio-avô, Tio Toninho, palhaço Gostoso, que era a grande estrela do Circo Guarani, teve um problema sério de saúde: uma doença degenerativa que o fez amputar as duas pernas. Da necessidade de se ter um palhaço substituto, nasceu o Xamego. E o que no princípio era um papel provisório acabou durando 50 anos.
Não foi fácil. Mulheres não se vestiam de palhaço na época. A ideia de rir de uma mulher – difícil de aceitar ainda na nossa sociedade atual – não agradava naqueles tempos. Foi preciso que minha avó convencesse meu bisavô. E de um jeito tradicional de circo, com o famoso “faz me rir”. Minha avó contava que vestiu uma roupa engraçada, soltou seu cabelo crespo que ficava bem armado e colocou um chapeuzinho bem pequenino na cabeça. Engraçada que era, conseguiu fazer com que meu bisavô turrão se divertisse. E o palhaço Xamego ganhou corpo!
O Xamego tinha participação em quase todos os números: na entrada com o parceiro, apresentando os filhos acrobatas, os irmãos Alves, trabalhando nas comédias e entrando no número dos malabaristas para fazer truques errados.
O seu tipo principal era matreiro e gozador, o oposto do parceiro, meu avô, que fazia a linha inteligente, séria, mas que sempre caía nas armadilhas do Xamego. E isso encantava muito as mulheres da plateia. E havia muitas apaixonadas pelo Xamego. No final do espetáculo, elas esperavam, queriam vê-lo sem maquiagem. Minha mãe dizia ainda que foram várias as vezes que recebeu bilhetinhos para serem entregues para ele. Imagina!
Normalmente o Circo ficava em temporada nas praças, nome dado aos locais onde se apresentavam. E só no último dia de espetáculo que o mistério era desvendado: minha avó tirava a cabeleira e se apresentava como mulher. Era uma “choradeira” das fãs apaixonadas.
Muitos registros do Circo Guarani foram perdidos. Numa briga de família, minha tia-avó queimou fotos e documentos. Recentemente, em busca de mais detalhes da nossa história encontramos um livro chamado Terceiro Sinal, de autoria de Dirce Militello. Lá, há um capítulo chamado O palhaço que conta as impressões da escritora sobre o Circo da minha família. E há um momento muito bonito em que ela diz ter ficado fascinada ao ver o Xamego, ainda maquiado, num intervalo de cena, amamentando uma criança: meu tio Aristeu. Sobre este episódio:
“A foto que não foi batida, que ficou dentro dos olhos e ainda vejo quando rebusco dentro de mim nos meus velhos guardados. O palhaço amamentando o filho que chorava! No camarim, o menino chorava, ela o amamentava mesmo sem tirar a maquiagem e trocar de roupa. Lá fora muita gente esperava, querendo conhecer o simpático palhaço, principalmente as moças. Engraçado como as moças se apaixonam pelos palhaços, mesmo sem conhecer o rosto… O rosto é que desperta mais atenção primeiro, talvez a curiosidade por saber quem está por trás daquela maquiagem! ou mesmo pela necessidade de sorrir!”.”
- Relato da neta Mariana Gabriel, palhaça Birota.
Fonte: http://todosnegrosdomundo.com.br/minha-avo-era-palhaco-documentario-que-conta-a-historia-da-primeira-palhaca-negra-do-brasil-sera-lancado-hoje/
Fonte: http://todosnegrosdomundo.com.br/minha-avo-era-palhaco-documentario-que-conta-a-historia-da-primeira-palhaca-negra-do-brasil-sera-lancado-hoje/
ENTREVISTA COM PALHAÇOS NEGROS
JOÃO GABRIEL
Carroça
Como você virou palhaço?
Eu sempre gostei muito, no circo, do palhaço. Sempre gostei dessa linguagem menos vaidosa, menos bonitinha por assim dizer e no palhaço eu descobri que poderia usar essa linguagem de várias maneiras tanto irônica, como cômica.
Eu sempre fui uma pessoa que fazia muitas piadinhas, uma pessoa com um humor grande e sempre foi muito natural em mim a “zoeira”, ai um belo dia eu conheci uma pessoa, essa pessoa me levou pra fazer uma oficina dizendo que eu deveria fazer aquilo…eu não acreditava, gostava mas não acreditava que eu poderia fazer aquilo e depois dessa oficina, que foi com uma palhaça de Portugal, a Eva, eu descobri um outro mundo.
Depois disso eu comecei a estudar de verdade, pesquisei videos, livros, comecei a assistir outros palhaçxs e fazer outras oficinas até que dentro desse processo todo eu criei meu número e passei a ser um palhaço.
Na sua opinião qual a diferença entre clown e palhaço?
Esse é um tema muito recorrente na minha vida e de muitas pessoas que fazem palhaçaria, eu ouvi há alguns dias atrás de um amigo que é palhaço que fez muito sentido, o significado da palavra palhaço aqui no Brasil esta muito ligado a uma forma até pejorativa, de pessoas que se vestem de personagens ou um personagem palhaço e fazem algumas coisas que não necessariamente tem haver com esse estado, essa brincadeira essa linguagem.
Por exemplo: eu me visto de palhaço e vou panfletar, não desmerecendo essa função, mas so para entender, e o lance do clown, sim, vem de fora, é uma palavra gringa com um significado bem “gourmet” mas que faz sentido, por que hoje em dia tem uma espécie de circo contemporâneo acontecendo e ai esse lado clown vem com outras linguagens junto.
O clown utiliza-se tanto do teatro como de uma linguagem que foge um pouco do tradicional da palhaçaria, que tem piadas sexistas, homofóbicas, que tem piadas meio batidas que jogam com o lado de preconceito do ser humano ai esse argumento que meu amigo me deu fez um pouco de sentido, mas acho que pra mim a diferença é só a palavra, tipo eu estou no Brasil é palhaço eu estou lá fora é clown e independe na real, depende do que você quer passar, eu até não me intitulo nada. Até evito usar um pouco a palavra clown mas por outros motivos.
Encontrou algum obstáculo e/ou preconceito (racismo, machismo, lgbtfobia..) no seu caminho?
Por fazer isso já rola um preconceito intrínsico, palhaço = artista = vagabundo e esse preconceito rola diariamente principalmente com pessoas que não tem convivência com isso ou que não acreditam que um artista pode ser um agente transformado. E ai muitas pessoas estão usando isso hoje como um motivo a mais pra poder fazer um número, expor uma ideia, tipo jogando esses preconceitos exatamente no ridículo do palhaço para poder falar desses assuntos que antes nem passavam perto de serem falados ou protestados. Já passei preconceito por ser palhaço, por ter tatuagens, por causa do meu cabelo, da minha cor.
Quais artistas nacionais e/ou internacionais que influenciam seu trabalho?
Vou começar com meus mestres e mestras, Eva Ribeiro que é essa palhaça de Portugal, Valentim Flamini que é um palhaço Argentino que foi quem me deu mais gás pra fazer isso que é um palhaço super incrível, mora na Bahia há 10 anos, é um palhaço de rua, o mestre do improviso. Tem palhaços daqui também, o Trevolino que é um palhaço que esta aqui em Brasília, outros dois palhaços Argentinos que eu me inspiro bastante é o Tomate e o Tchacovache, tem o italiano Leo Basse que é bem bufão, tem essa pegada da ironia muito mais forte…entre outros.
Você é palhaço de rua ou de teatro? Se de rua, o que te motiva e o porquê acha importante manter essa tradição de espetáculos fora do teatro?
Já me apresentei tanto na rua como no teatro, minha ideia é transcender isso, não ser necessariamente da rua nem do teatro. Mas eu acredito muito no poder da rua e acredito que todo mundo deve passar por esse lugar, a rua tem um poder muito grande. A espontaniedade de abrir uma roda num lugar que tem várias pessoas passando e a responsabilidade de chamar a atenção daquelas pessoas e passar alguma coisa é incrível, pra mim a palhaçaria é sobre passar alguma coisa de uma forma que as pessoas se identifiquem independentemente do lugar que elas vieram.
ENTREVISTA COM PALHAÇOS NEGROS
VICTOR HUGO
Qual é seu nome artístico?
Marreco coelho cuíca
Como você virou palhaço?
Então, eu fiz uma iniciação com Zé Regino lá em um teatro em Águas claras, Zé Regino que é um grande palhaço daqui de brasilia, ai foi mais ou menos isso, depois fiz algumas pesquisas, fiz um outro curso com um pessoal que ja trabalhou com o Lecoq, com a Ryan Meshkin, que um grupo que se chama Tapontarrê em Campinas e algumas pesquisas assim que eu tenho com o teatro fisico que ajudam com o grupo lume teatro
Na sua opinião qual a diferença entre clown e palhaço?
Eita essa pergunta é dificil… por que eu acho que várias escolas vão dizer coisas diferentes, daonde eu venho, de um dos mestres que eu considero meu mestre palhaço, ele diz que é mais uma questão de estilo e politica de que por estarmos no Brasil a gente se chama de palhaço.
Tem gente que vai comparar o que é Clown com virtuosidade, com algomais vaidoso, mais chique, mais gourmet, mas eu acho que não tem nada com isso, mas eu acho que dentro da palavra palhaço a gente tem td esse historico de valorização de uma cultura que é do povo, que é mais genuina, tradicional, mas acho que tudo isso de clown/palhaço depende muito da escola, acho que so não pode caber dentro dessa discussão do cômico, desse humano que é tão genuino, o elitismo.
Encontrou algum osbtáculo/ preconceito (racismo, machismo, lgbtfobia…) no seu caminho?
Ah com certeza, mas acho que isso são opressões estruturais né, que se encontram eu acho no caminho de artes cênicas em geral por que as artes cênicas estão inseridas nessa sociedade, como diz a bell hooks, do patriarcado capitalista da supremacia branca, então com certeza encontramos essas dificuldades.
Tem uma pesquisa que eu estou desenvolvendo agora que é buscar novamente o figurino desse palhaço, por que é um traje muito europeu, colonial do Marreco atualmente, que eu acho bom por que tem um tom de crítica mas ao mesmo tempo como se torna afro esse palhaço né, e tem transições da própria roupa né, teve uma vez que uma criança me perguntou se eu era trans por que eu uso uma leggin bem apertadinha.
Como o palhaço é a expressão do genuino eu acho que eu nunca tinha discutido no âmbito da negritude meu palhaço, por mais que todas as ações que eu faça seja um negro fazendo, mas eu acho que essas expressões que são minhas, que são genuinas do meu ser, como ser negro ,como ser lgbt, pessoa não binaria em fluxo, pessoa trans, etc. eu tenho dificuldade com essas definições também, mas o palhaço é esse lugar livre, acho que ele também precisa ter esse lugar de questão e de necessidade com definições, o palhaço e o clown são fluidos então tem haver com isso, essa expressão do “eu” que vai encontrar a sociedade e é óbvio que no caminho nos encontramos com essas barreiras.
Apesar de as vezes eu achar que a porta esta mais aberta pra essa menor mascara do mundo, que eh a do palhaço, quando se está com ela, quando se coloca pra jogo nessas dimensões todas.
Quais artistas nacionais e/ou internacionais que influenciam seu trabalho?
Cara, eu conheci um palhaço preto que se chama Benjamin de Oliveira, ele é maravilhoso, assim como é um dos precursores do Circo -Teatro muito pouco lembrado. Aqui em Brasília temos Zé Regino né, Denis Camargo, que são também boas influencias do que seria o palhaço.
Temos Renato Gutti também, que trabalha com isso do cômico, do humor, culturas tradicionais…temos grandes figuras que não são exatamente palhaças mas que tem essa questão do cômico, do humor, que são fontes para que a gente se inspire, como por exemplo Matheus Bastião, um ou outro personagem do movimento harmorial de Ariano Suassuna né, como João Grilo, Xicó.
Tem uma palhaça maravilhosa que é austriaca que se chama Tanja Simma, que um dos melhores trabalhos de palhaços que eu ja vi, e várias outras pessoas incriveis que não me lembro agora.
Você é palhaço de rua ou de teatro? Se de rua, o que te motiva e o porquê acha importante manter essa tradição de espetáculos fora do teatro?
Atualmente eu posso me enquadrar nesse lugar de palhaço de rua mesmo, e foi um lugar que eu me coloquei depois da minha iniciação para eu pesquisar, para entender como seria esse meu palhaço pra jogo. Eu acho que meu maior palco até hoje foi a rodoviária do Plano Piloto, que é onde eu pesquiso.
Por que viva a tradiçao da rua né? Uma grande mestra palhaça, Cecília Borges, coloca que, lembrando a historia do palhaço, o palhaço era aquele que tinha que fazer alguma coisa para as pessoas rirem, pra ganhar uma moeda pra comer né… existe um lugar de sobrevivência pro palhaço da rua, um oficio mesmo, lá guardado nos interiores da função desse riso pra sobrevivência, de que esse oficio apesar de envolver o riso ele é serio e a rua é um espaço democraáico né, a rua é onde nós nos encontramos.
O palhaço é um ser humano exposto, ele é nu, como diria o pessoal do Lecoq. O bufão tem esse lugar do político, da liberdade e o palhaço tem esse lugar do humano, do genuino, então nada melhor do que ter encontros genuinos com essas pessoas que também habitam um espaço genuino, é ali que eu gosto de me espetacularizar por que esse público é sincero e existem muitas barreiras sociais ainda pra chegar no teatro, são espaços de elites, espaços burocratizados.
Ao mesmo tempo eu acho que nem todos que estão vestidos de palhaço, de clown são palhaços, na rua há varias coisas que eu acho que foram perdendo essa tradição, esse encontro com as pessoas, acho que o palhaço esta nesse lugar para transgredir, pra subverter essas ordens do cotidiano, quando ele se instala na rua que é um lugar de performance, de jogar, se pondo pra jogo, é maravilhoso.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Bibliografia
Bibliografia
MONTEATH DOS SANTOS, Sarah: Mulheres Palhaças: percursos históricos da palhaçaria feminina no Brasil. São Paulo: dissertação de mestrado em artes - UNESP, 2014.
DE OLIVEIRA FREITAS SACCHET, Patrícia: Da discussão “clown ou palhaço” Às permeabilidades de clownear e palhaçar. Porto Alegre: UFRGS, 2009.
MAIA NASCIMENTO, Elaine Cristina: Comicidade feminina: as possibilidades de construção do cômico no trabalho de mulheres palhaças. Salvador: UFBA, 2014.
KRÜGER, Cauê: Experiência social e expressão cômica – os parlapatões, patifes e paspalhões.. Campinas: Unicamp, 2008.
DA SILVA, Pedro Eduardo: A formação do palhaço circense. São Paulo: Unesp, 2015.
LUBARINO PICCOLI DOS SANTOS, Ivanildo: Os palhaços das manifestações populares brasileiras:Bumba Meu Boi, Cavalo Marinho, Folia de Reis e Pastoril Profano. São Paulo: Unesp, 2008.
SILVA, Ermínia: Circo-teatro : Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil.. São Paulo: Editora Altana, 2007.
CAMARGO, Dênis: A manifestação do afeto no encontro do palhaço visitador com o participante/ enfermo no Projeto Risadinha. Brasília: Universidade Federal de Brasília.
RODRIGUES, André; NUNES FILHO, Wellington: A utilização do palhaço no ambiente hospitalar. Uberlândia: Revisa ouvirouver, 2013.
Filmografia
MELLO, Selton: O palhaço. São Paulo: Globo Filmes, 2011.
GELY, Cyril: Chocolat. França: Califórnia Filmes, 2015
MINEHIRA, Ana & GABRIEL, Mariana: Minha vó era palhaço. São Paulo: 2014
Videografia
O Palhaço Negro: A história de Benjamin de Oliveira. Disponível em:< https://www.youtube.com/watch?v=puhmRTsIgpI> acessado em: 15/05/2017 às 20:45.
Entrevista: Ana Flávia Garcia - Palhaça Geléia. Disponível em:< https://www.youtube.com/watch?v=88GAN7cRe8M> acessado em: 15/05/2017 às 21:02.
Palhaça Carmela em Retalhos Populares | documentário. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=ogMQIfhy9dA> acessado em: 16/05/2017 às 14:12.
Teaser palhaças. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=eXjgDycZHG4> acessado em: 16/05/2017 às 14:36.
Colette Gomette Prézidente. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=x5WpIfJmr1A> acessado em: 16/05/2017 às 15:01.
Lars Adams. Disponível em: < https://www.facebook.com/PlayGroundBR/videos/376890176039300/ > acessado em 01062017 às 11:27
Patch Adams - Trailer legendado. disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=q9YsMfAqZa4 > acessado em: 01062017 Às 11:50
Sites
Perfil de um Doutor. Disponível em: <http://www.doutoresdaalegria.org.br/wp-content/uploads/2012/04/O_perfil_de_um_Doutor.pdf> acessado em 19/05/2017 às 17:17.
GABRIEL, Mariana; GOMES, Christiane: Minha vó era palhaço. Disponível em:
<http://todosnegrosdomundo.com.br/minha-avo-era-palhaco-documentario-que-conta-a-historia-da-primeira-palhaca-negra-do-brasil-sera-lancado-hoje/ > acessado em 15/05/2017 às 20:00.
Benjamim de Oliveira: O primeiro palhaço negro do Brasil. Disponível em: <http://www.geledes.org.br/benjamim-de-oliveira-o-primeiro-palhaco-negro-do-brasil/#gs.=F15HWs> acessado em 15/05/2017 às 20:20.
Benjamin de Oliveira. Disponível em: <http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/hist%C3%B3ria-e-mem%C3%B3ria/historia-e-memoria/2014/12/30/benjamim-de-oliveira > acessado em 15/05/2017 às 20:27.
Benjamim de oliveira (1870-1954). Disponível em: <http://antigo.acordacultura.org.br/herois/heroi/benjaminde-oliveira > acessado e, 15/05/2017 às 20:38.
domingo, 16 de abril de 2017
Visita ao Circo Grock
No dia 2 de abril de 2017, decidimos ir ao circo para iniciar nossa pesquisa sobre humor em cena de maneira imersiva. Fomos ao Circo Grock que estava instalado no CCBB, nesse momento em especial ocorria um evento chamado palhaças no mundo, que acabou trazendo mais importância ainda a nossa visita. Logo de início nos deparamos com o casal de palhaços anfitriões, os mesmos faziam muito uso de jogos corporais e tentavam cativar a plateia para si. O constante humor físico era facilmente notável assim como na maioria dos clowns, nada que fugisse muito do convencional.
Além dos palhaços principais
ainda tiveram mais dois, uma palhaça que andava de patins e usava da variação
de velocidade para arrecadar risadas e um palhaço equilibrista que explorava
seu jeito desastrado para ganhar o público. Além de tudo o espetáculo também
contava com a presença de um mágico, que para não sair de seu estereótipo
misterioso não soltou uma palavra durante todo show.
Mas como nosso foco é o
humor, pudemos destacar o clássico e recorrente número do cachorro invisível
feito pelo casal de palhaços, que só conseguiu arrancar risada de algumas
crianças. Também tivemos a tentativa um tanto quanto frustrada da segunda palhaça,
de incluir pessoas da plateia em seu número nem um pouco interessante de
balançar bambolês. Mas em minha opinião o que salvou todo o espetáculo, foi a
mistura de tensão e comicidade do palhaço equilibrista ao tentar subir em um
mastro. Pelo fato de quatro voluntários estarem puxando o mastro para buscar equilíbrio,
a instabilidade parecia provocar certo medo no artista, (que certamente já estava
bem acostumado em fazer isso) o que fazia toda a comicidade do número.
Depois de tal visita, pudemos
ter certa noção de como funciona o Clown de circo. Mesmo de maneira compacta e
sem nada muito especial, o Circo Grock se mostrou um programa familiar o qual
crianças pudessem se divertir através do clássico humor buscado através da
palhaçaria circense.
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Filme Chocolat
Um ótimo filme, muito recomendado para quem busca saber mais sobre o circo Francês (palhaços augusto e branco) e sobre a trajetória do mais famoso palhaço negro do século XIX e os preconceitos por ele enfrentados.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Entrevistando palhaços
Arthur Resende tem 18 anos, é palhaço nos semáforos da Asa sul e nos concedeu essa entrevista contando um pouco da sua experiência.
Qual é seu nome artístico?
Tenho vários, mas o principal deles é Corsales. É
uma junção de escorpião, sagitário e leão, que são meu sol, ascendente e lua.
Como virou palhaço?
Desde criança eu sou palhaço, desde
guri me vestia de palhaço. Meu primeiro contato com palhaços foi quando assisti
um espetáculo do Cirque du Soleil, fiquei apaixonado por aquele universo, mais
do que eu já era. Mas o Corsales surgiu quando eu saí de casa e fui morar na
rua, então passei a desenvolver um palhaço de semáforo, porque eu sempre via muitos
malabaristas e muitos artesãos e nunca tinha visto palhaço, foi assim que
começou.
Na sua opinião qual a diferença entre clown e palhaço?
Eu particularmente não vejo diferença, mas muita gente
vê. O clown seria um palhaço mais teatral, que se expressa sem precisar falar
muito e mesmo assim faz o público rir. Já o palhaço acredito que ele seja um
cara mais falante, que interage mais diretamente com o público.
Encontro algum obstáculo/preconceito no seu caminho?
O preconceito existe. Quando você fala
que quer ser palhaço, rola um preconceito da família e dos amigos, mas quando
eles viram que eu realmente era bom em ser palhaço, que essa é a minha essência,
não existe mais preconceito. Inclusive meu pai, que é muito tradicional, que
acha que todo mundo deveria fazer concurso público, até ele, hoje em dia, me
incentiva a ser palhaço. Agora eu consegui ser valorizado como profissional.
Quais os artistas nacionais e/ou internacionais que você
se inspira, que influenciam seu trabalho?
Uma das minhas inspirações é o Slava Poulin, um palhaço
russo, que segue uma linha mais teatral. Ele usa sonoplastia de uma forma incrível
nos espetáculos. Trabalhei também com um palhaço chamado Valentin Flamini, não
diria que ele é uma inspiração, mas me identifiquei bastante com ele. Por último
tem uma dupla que se chama Umbilical Brothers, eles não são exatamente palhaços,
mas trabalham com comédia por meio da mímica, eles são muito bons. Gosto muito
dessa vertente da mímica.
Você é palhaço de rua ou de teatro? Se de rua, o que
te motiva e o porquê acha importante manter essa tradição de espetáculos fora
do teatro?
Eu sou um clown de rua. A minha
linha é mais sentimental, mais dramática, minha grande inspiração é o teatro do
oprimido e de certa forma eu incorporo isso no palhaço. O que me inspira a ser
palhaço de rua? Pergunta interessante... acho que o ser palhaço por si só já é
uma inspiração, porque quando você é palhaço de rua, quando você está
interagindo com o público, você recebe o sorriso das pessoas. Isso é
gratificante, não necessariamente só pelo sorriso, mas pelo afeto que é perceptível
nos olhos do espectador, pelo sorriso inocente, que naquele momento o público
se torna tão inocente quanto o palhaço. Uma vez fiz uma apresentação e uma das
pessoas que estava me assistindo era uma criança com deficiência e ela
demonstrava tanto amor pelo palhaço, que quando eu tive que ir embora ela ficou
tão triste, que eu não aguentei e tive que ficar mais. Quando eu passei por
essa experiencia eu parei para refletir e me dei conta que é por isso que eu
sou palhaço.
Essa é sua principal fonte de renda?
Não, ainda não é minha principal
fonte de renda.
Qual sua opinião a respeito de cobrar ingressos para
espetáculos em locais públicos?
Eu acho justo, porque é uma
profissão, por mais que o palhaço esteja brincando ele treina, ele trabalha em
coisas novas, lida com diversas rejeições na rua e aprendem a conviver com
situações adversas, é valido você pagar uma pessoa que consegue estar ali. Não
sei se cobrar um preço fixo em um local público é legal, mas é justo o
espectador colaborar com a arte daquele profissional. Se a pessoa não tem
dinheiro para te pagar, mas tiver uma conversa, uma experiência para
compartilhar isso também é válido.
Você passou por algum ritual de passagem para se
tornar palhaço?
Eu sou muito autodidata, não
participei de um grupo para minha formação como palhaço. Tenho meus próprios
rituais para entrar em cena, mas nunca passei por um ritual de iniciação. Na
verdade, eu considero que conseguir vencer a plateia do semáforo, minha
primeira plateia, foi uma passagem.
terça-feira, 4 de abril de 2017
Apresentação
Esse blog está sendo desenvolvido por alunxs do curso de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, com o intuito de apresentar e compartilhar nossas pesquisas, entrevistas e conhecimentos adquiridos sobre o tema → Humor em Cena: Palhaçxs, Clowns e suas variações. Focaremos na linha cronológica do Humor em Cena e como se deu suas variações ao redor do mundo, levando em consideração classe, etnia, gênero, cultura, orientação sexual entre outros variantes de cada artista e como esse processo se deu embasado nisso.
O blog será administrado por:
Dora Pinheiro Sales,
Gabriel Alvez e
Marina Dornelas Resende Silva
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